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quarta-feira, 28 de julho de 2010

BIOGRAFIA DO PATRONO

Publicada no livro HISTÓRICO DA ARLS MARQUÊS DO HERVAL nº 1624
Pesquisa do Irmão João Pereira Leite.
Colaboradores Irmãos Murilo Wanderley e João Luiz Eugênio Pereira
Editado em 12/12/1980
(Composição e diagramação de COMPOSITA LTDA. - Av. 13 de Maio, 47 - conj. 1405/06. Fotolitos e Impressão de RESER - Artes Gráficas S.A - Rio de Janeiro, Brasil)
Página 6, 7 e 8.

BIOGRAFIA DO PATRONO

Muitos dados a respeito do nosso patrono poderiam ser colocados. Entretanto, achamos oportuno lembrar aos Irmãos pequenos trechos biográficos daquele que, por seus méritos, teve seu nome escolhido por esta Loja.

Em 10 de maio de 1808, nasceu em Conceição do Arroio, Rio Grande do Sul, MANUEL LUIZ OSÓRIO, filho de MANUEL LUIZ DA SILVA BORGES, oficial comandante no Rio Grande do Sul, que sempre manifestou o desejo de o filho seguir a carreira militar. Considerava muito importante o fato de ver seu filho vestir uma farda do nosso exército.

Em 1822, contava Osório 14 anos de idade. O Brasil proclamou sua independência, e parte da guarnição portuguesa sediada em Montividéu não aceitou esta emancipação, o que gerou, no sul, a guerra da independência.

O regimento de Salto, no Rio Grande do Sul, comandado por Silva Borges, pai de Osório, preparava-se para entrar em ação. Antes de partir, Silva Borges comunicou ao filho que decidira levá-lo. O menino Osório chorou, pois não desejava abandonar os estudos. No entanto, o pai convenceu-o de que não havia meios para ele continuar os estudos numa grande cidade, e que a sua aptidão para a vida militar poderia proporcionar-lhe uma brilhante carreira no exército. Osório obedeceu ao pai e seguiu-o, conforme confessaria mais tarde, sem contrariedade, mas também sem entusiasmo.

Entretanto, à medida que a campanha prosseguia, Osório se empolgando pela luta. Embora não partipasse diretamente dos combates, sentia que lutava pela independência de seu país, o que o fez decidir-se. Poucos dias antes de alcançar a idade regulamentar de 15 anos, Osório inscreveu=se como voluntário da Legião de São Paulo, com a predestinação de lutar pela paz e pela soberania do nosso povo. Logo depois, o novo soldado teve seu batismo de fogo, enfrentando a cavalaria portuguesa próximo a Montevidéu. Sua habilidade em manejar as armas colocou-0 entre os melhores soldados da Legião, e com a derrota dos portugueses Osório já conquistara duas promoções: Primeiro Cadete, depois Alferes no 3º Regimento de Cavalaria.

O pai de Osório tinha razão em querer que ele seguisse a carreira militar. Foram muitas as suas glórias. Comandou e participou de lutas memoráveis, como os combates no Uruguai, Paraguai, Revolução Farroupilha, Humaitá, Tuiti, Caçapava, Avaí e, a mais importante, a Batalha do Herval em 3 de maio de 1838, onde se destacou pelo heroísmo e habilidade, sendo logo após promovido a Capitão.

O pai morreu logo nos primeiros combates e lhe deixou como encargo sua mãe, muito pobre. Osório, em combate, via morrer seus camaradas de farda e seus amigos, mas era, acima de tudo, Maçon, um idealista e patriota e sabia que aquele que morre no cumprimento do dever vai com glória e sob a resplendor da gratidão humana.

Em 1842, Caxias foi nomeado presidente do Rio Grande do Sul e, agradecido pelos relevantes serviços prestados ao Brasil por Osório, promoveu-o a Tenente-Coronel. As vitórias nos campos de batalhas, bem como as promoções nos degraus da fama, eram uma constante que o seguia a cada passo da vida. Em junho de 1865, Osório foi promovido a Marechal de Campo e lutou heroicamente ao lado de outros brasileiros, expulsando os paraguaios de nosso território. Em 1866, cumprindo mais um dever de soldado e de patriota, participou ativamente da Batalha do Tuiuti, tendo posteriormente recebido o título de Barão do Herval. Doente, viu-se obrigado a retornar ao Rio Grande do Sul, deixando o comando de sua tropa, a fim de se submeter a tratamento de saúde. Logo após sua recuperação, regressou e assumiu o comando.

Ainda em 1866, quando os generais brasileiros discutiam o plano de invasão do Paraguai, Osório permanecia ao lado dos mesmos, ereto e calado. Alguém lhe perguntou: "Que pensa disso general? Respondeu Osório: "Discutam como quiserem, mas quem há dar o passar primeiro o Passo da Pátria hei de ser eu". Na noite de 15 de abril desse mesmo ano, Osório entrou no Paraguai e, ao iniciar o avanço, definiu sua tarefa: "É fácil a missão de comandar homens livres: basta mostrar-lhes o caminho do dever".

Sua ascenção na vida militar foi das mais gloriosas, conforme mostraremos a seguir, sucintamente, apenas a título de ilustração. Assentou praça em 1º de maio de 1823 no Rio Grande do Sul; jurou bandeira no dia 18 do mesmo mês; em 01/10/1824 tornou-se 1º Cadete; em 21 de dezembro de 1824, Alferes; em 12 de outubro de 1827, Tenente; em 21 de outubro de 1939, Capitão de Linha; em 27 de maio de 1842, Major; em 23 de julho de 1844, Tenente-Coronel; em 3 de maio de 1852, Coronel; em 18 de junho de 1859, Brigadeiro Efetivo; em 17 de junho de 1865, Marechal de Campo; em 1º de julho de 1867, Tenente-General; em 27 de de julho de 1877, Marechal do Exército. De 5 de janeiro de 1878 a 1879 atuou como Ministro da Guerra e em 1879 ainda, tornou-se Senador da República.

Não sabemos exatamente quando Osório entrou para a Maçonaria; entretanto, é possível que tenha acontecido antes de 1835, quando ainda era Tenente, pois seus biógrafos dizem textualmente: "Foi proclamada nos pampas a República de Piratiny; Osório, liberal e MAÇON, tinha simpatia pelo movimento, mas permaneceu fiel às forças imperiais em cujas hostes também lutava seu pai".

O Osório Maçon (Quadro do acervo da Loja Marquês do Herval)
Em 1872, era membro ativo nº169 da Loja Honra e Humanidade, de Pelotas - Cadastro nº 116 do Grande Oriente do Brasil. Na ocasião possuía o grau 18, mas pouco depois, em 01/09/1873, por intermédio da mesma Loja, foi exaltado no grau 33.


Conquistou três títulos nobres: Barão, em 01/05/1866; Visconde, em 11/04/1869; concedido Brazão de Arma em 29/12/1869; e Marquês, em 29/12/1870.

Faleceu em 4 de outubro de 1879, às 6:10 horas, com 71 anos, no Rio de Janeiro, em sua residência no Caminho do Mata Cavalo, atualmente Rua do Riachuelo, num prédio ainda existente.

Como preito de gratidão, por muitos e relevantes serviços prestados em defesa da soberania nacional, foi erguida, em sua homenagem, uma estátua equestre na Praça XV de Novembro, na cidade do Rio de Janeiro, em 21 de julho de 1892, inaugurada em 12 de novembro de 1894.

Em 08/07/1965, foi escolhido patrono da ARLS Marquês do Herval nº1624, pelo Conselho Federal da Ordem (Dec. 1990)

Osório foi um homem que conquistou muitas glórias, apesar de ter pago caro por todas elas. Mesmo com a morte de seu pai, de sua mãe, e com os ferimentos recebidos em combate, teve uma velhice pontilhada de glórias por ter, conscientemente, cumprido com o seu dever.